segunda-feira, 21 de março de 2016

A palavra do Mestre - Capoeira é esporte? - Parte 4




Para finalizar a questão do reconhecimento da Capoeira como esporte, pelo Ministério dos Esportes, trago a opinião de mais 5 mestres: Mestre Gato, Mestre Linguiça, Mestre Flávio Saudade, Mestre Alexandre Batata e Mestre Meinha.
Se você perdeu as postagens anteriores, clique aqui, aqui e aqui para saber o que pensam os mestres Boneco, Caçapa,Thiara, Catitu, Franja, Namorado, Ron, Mara, Kaco, Barrão, Preguiça, Fumê, Toni Vargas, Adelmo e Bené.




Mestre Gato - Senzala

“Capoeira é arte popular, patrimônio imaterial cultural da humanidade, não é esporte. É uma manifestação de cultura popular, tem elementos de dança, arte marcial, música, teatro de rua, mas não pertence a um desses elementos apenas. São eles integrados que caracterizam, de forma única, a roda de capoeira e temos a obrigação de preservá-la. Ela se desenvolveu sem apoio oficial e está presente agora no mundo inteiro, atraindo interesses de pessoas que não têm nada a ver com seu contexto.”




Mestre Linguiça – Arte de Bamba

“Pra quem é capoeirista de fato, alma e de direito, Capoeira é muita coisa: cultura , luta, arte, dança, lazer, esporte, filosofia de vida e etc. Porém, para quem apenas quer usar a Capoeira, fragmentando fica mais fácil. Quem faz  no máximo 6 meses de aula na faculdade não adquire conhecimento suficiente para ensinar, mas estão ensinando.

Hoje um secretário de esportes pode captar recursos para fazer um campeonato e realizar o mesmo sem a necessidade de um mestre, contramestre ou professor de Capoeira.  pois é só comprar um CD, pegar as regras, que já estão escritas desde que foi regulamentada em 1973 pela Federação Brasileira de Pugilismo, e arrumar competidores para realização do evento. Ou seja , estão fazendo com a Capoeira o mesmo que fizeram com o carnaval. Nasceu como sendo do povo e para o povo, agora somente a elite tem participação efetiva. Assim está acontecendo com a Capoeira.”


Mestre Flávio Saudade - Coordenador do Projeto Gingando Pela Paz

"Após ser incluída no Código penal, em 1934 a Capoeira foi liberada e proclamada pelo então Presidente da República esporte nacional brasileiro. Porém, o que houve foi um golpe, uma verdadeira rasteira que limitou a Capoeira ao espaço fechado. Com isso, a sua identidade revolucionária e seu caráter institucional foram profundamente atingidos. E o que vemos hoje é mais uma tentativa de rasteira, talvez a maior delas, pois a formalização da Capoeira como esporte abriria espaço para a sua industrialização, o que atingiria diretamente a sua essência. Cresceriam as escolas formadoras de atletas, engordariam as federações e confederações, lucrariam os grandes investidores às custas da descaracterização da nossa cultura.

Porém, temos de ter consciência de que existem muitos grupos e mestres que defendem a Capoeira como esporte e desenvolvem suas atividades neste sentido. Estão errados? Creio que não. Como não estão errados aqueles que como eu defendem a Capoeira como manifestação cultural e instituição revolucionária.

Como disse Mestre Pastinha, a Capoeira é "tudo o que a boca come". Logo, cada um come o que quer. A Capoeira é plural e responde às necessidades de cada um, e certamente muitos não abrirão mão de vê-la a serviço do mercado. E acontecerá exatamente isso caso a Capoeira seja delimitada somente como esporte. E quem o faz, não o faz senão por interesses financeiros e comerciais, para este modelo capitalista que vemos hoje destruindo vulnerabilizando nações e sacrificando vidas.

Porém, precisamos, nós capoeiras, fazermos a nós mesmos uma pergunta: qual é a Capoeira que queremos? E o que desejo ser para a Capoeira? Particularmente, acredito que o papel da Capoeira e de nós capoeiras vai muito além do que defender a Capoeira, mas precisa sair em defesa de outras bandeiras, das bandeiras do povo, como o fim da violência contra a mulher, o combate à corrupção e outras tantas bandeiras sociais. Necessitamos retomar a essência da Capoeira enquanto instituição. Ontem estávamos fechados entre paredes, hoje estamos fechados neste navio que se chama internet. É preciso voltar às origens e mostrar o que realmente somos, uma grande instituição revolucionária. E isso deve partir do berço, do Brasil! Porém, para isso devemos antes deixar de ver nossas diferenças como algo que nos separa, devemos olhar para aquilo que nos une e nos torna irmãs e irmãos: a humanidade. E a nossa luta deve ser por esta mesma humanidade, que agoniza diante de uma política mundial que inverteu o sentido das coisas, criando um mundo onde reina a ganância e a sede pelo poder, nos afastou do que realmente somos e nos escravizou quando nos fez correr atrás do dinheiro a cada dia.

A Capoeira tem muito para nos ensinar pois ela é a própria humanidade em exercício. Portanto, ela vai muito além de uma prática esportiva, isso é fato indiscutível.  E é esta força que precisa ser demonstrada, não apenas contra esta medida arbitrária deste conselho, mas em todos os momentos em que a humanidade, a vida, esteja sob ameaça."





Mestre Alexandre Batata – Companhia de Capoeira Contemporânea

“Capoeira é tudo, mas nem tudo é capoeira se as intenções não forem fiéis aos atos.”






Mestre Meinha – Cruzeiro do Sul

“Em uma parte é bom para que tenhamos mais acesso a patrocínios e aprovações de editais. Em outra parte é ruim porque muitos professores de Educação Física poderão dar aulas sem experiência ou vivência no mundo da Capoeira, deixando muitos mestres com muita bagagem desempregados.

Só não concordo com este reconhecimento agora, porque já tem uma lei reconhecendo a Capoeira como desporto e patrimônio, então acho que isso é uma jogada política, sei lá, para roubarem o que é nosso e o poder, o sistema tomar conta da Capoeira. Não estou acompanhando muito esse assunto, porque acho uma desonra para quem luta sua vida toda por nossa arte e cultura e dar de mãos beijadas ao sistema”


Nós queremos saber a sua opinião sobre o assunto, não deixe de comentar. Ajude na divulgação do Blog compartilhando nossas publicações em suas redes sociais. Curta nossa fanpage no Facebook e se inscreva em nosso canal do Youtube.


sexta-feira, 18 de março de 2016

E aí, qual a boa do final de semana?

Sexta a Domingo

Porto Alegre/RS



Paraguaçu Paulista/SP



França


Sexta-feira

Porto Alegre/RS



Sábado e Domingo

Capão da Canoa/RS


Sábado

Porto Alegre/RS



Araruama/RJ


Domingo

Rio de Janeiro/RJ


São Paulo/SP


Rio das Ostras/RJ


segunda-feira, 14 de março de 2016

A palavra do Mestre - Capoeira é esporte? - Parte 3


Vamos à terceira parte da série "A palavra do Mestre", que nessa primeira edição traz a opinião de mestres renomados sobre a decisão do Mistério dos Esportes em reconhecer a Capoeira como esporte. Se você não acompanhou as duas primeiras postagens, clique aqui e aqui para ficar por dentro.

Hoje temos as opiniões de Mestre Preguiça, Mestre Fumê, Mestre Toni Vargas, Mestre Adelmo e Mestre Bené.






Mestre Preguiça – Iê Capoeira


“A Capoeira é arte e cultura, nasceu em ânsia de liberdade, não pode ter dono, nem monopólio.  Isto que estão querendo fazer é mais uma covardia com a Capoeira.”









Mestre Fumê – Grupo Muzenza

“Eu acho que tudo que vem para somar é válido, tratar a capoeira como esporte nos dá mais suporte para colocar a capoeira nas olimpíadas.”




Mestre Toni Vargas – Centro Cultural Senzala

“Essa questão da Capoeira ser reconhecida como esporte é algo muito delicado. O problema pra mim é a capoeira ser só esporte, esse é o problema. 

Eu temo porque esse caminho de desespotivização da Capoeira é um caminho mais fácil e um caminho que favorece a muitas pessoas que não tem um conhecimento profundo de capoeira, não querem ter e estão se aproveitando e vão se aproveitar desse momento. 

São os caras que são donos de federações e que são politiqueiros, enfim, pessoas que não têm uma relação profunda com a Capoeira enquanto uma atividade múltipla, uma atividade holística e até nem compreendem a Capoeira nesse aspecto. 

É muito mais fácil para essas pessoas e pra muitas outras, infelizmente, ver a capoeira segmentada. Ver a Capoeira como esporte e só como esporte acaba sendo muito mais fácil, acaba sendo muito mais funcional pra pessoas que querem tirar da Capoeira alguma coisa, que querem ver isso acontecer de uma forma mais simples. Há uma verba, o esporte está sempre mais na moda e esquecem dos problemas que a gente teve bem recentes, não é nem num passado distante, num passado bem recente porque quem cuida da área do esporte é a educação física, mesmo que as pessoas digam “Não, não tem nada a ver, porque o CREF/CONFEF não vão se meter nisso” mas uma vez que ela for uma modalidade desportiva, for esporte, ela vai estar na área da Educação física e isso vai voltar, quer dizer,  é um retrocesso. Causará problemas a um enorme número de profissionais que não são formados em educação física e que são agentes culturais. São pessoas que se fizeram na capoeira, como a maioria dos mestres de renome e pessoas que realmente lutaram pela Capoeira. 

Eu não conheço  nenhuma instância em que uma federação tenha ajudado realmente a Capoeira. Eu nunca vi em 50 anos de capoeira. Quem levou a Capoeira para todos os países, para outros lugares, para as universidades não foi uma federação. 

Eu temo muito pela descaracterização da capoeira, principalmente, pela falta de visão dessas pessoas, que vão ceder ao que for mais simples e ao que der mais dinheiro. São pessoas, que na minha opinião, infelizmente, têm essa visão. Falam qualquer coisa, fazem qualquer coisa pra ganhar dinheiro com a Capoeira e eu temo muito por isso. 

O fato da Capoeira ser uma manifestação múltipla da nossa cultura não anula o fato dela ter também características desportivas. Todo esse tempo que ela não foi reconhecida, as pessoas faziam no Rio de Janeiro, em outros lugares e até em outros países, campeonatos e nunca ninguém foi lá acabar com o campeonato de ninguém. Nunca ninguém implicou que alguém estivesse fazendo um treinamento de capoeira. Eu mesmo sou uma pessoa que faço isso, sou superligado a questão cultural, mas também gosto do treinamento, dessa parte toda, agora, não tem problema nenhum ver a capoeira como cultura, ver a capoeira em toda a usa grandiosidade e poder ter também uma abordagem desportiva em algum momento, em algum momento. Isso é completamente diferente de considerar a Capoeira como esporte, rotular a Capoeira como esporte e querer qualificá-la só como esporte, abandonando as outras coisas. 

O medo que eu tenho é esse, acho que isso tudo é feito a revelia, sem ouvir os capoeirista, porque na verdade essas pessoas donas de federação, os cartolas, não são representantes legítimos da capoeira, não têm com eles a maioria. Infelizmente essas pessoas forçaram essa barra, são oportunistas, é um momento muito delicado. Mas vamos ver o que vem pela frente, eu acredito muito nos capoeiristas e na Capoeira, sempre ela consegue se transformar e se recriar. Já houve muitas tentativas de enquadrá-la, mas eu não acredito que isso vá acontecer nunca, essa é a minha posição.


Mestre Adelmo – Capoeira Origens do Brasil

“Eu não acredito que possamos pensar em capoeira sem pensar na historicidade que ela compõe e não podemos jamais, e seria insano, descartar, ou deixar, mesmo que temporariamente, de lado o seu maior contentor, o Mestre (ou seja la qual o título que o agente transmissor tenha, professor, contramestre, trenel).

Qual a função primordial do mestre? Cuidar, transmitir, disciplinar e mostrar o caminho.

O que a história da capoeira tem demonstrado em toda a sua história? O mestre cuida do aluno, o aluno se tornando discípulo e o discípulo se tornando mestre.
De onde vem a base de tanto conhecimento? Toda essa construção foi forjada através de lágrimas, suor e sangue por milhões de capoeiras do passado e capoeiristas do presente. Assim construiu-se um sistema cultural maior dos que qualquer manifestação em solo brasileiro.

O sistema deseducou e a nação brasileira como meros trabalhadores braçais, sem capacidade de produzir reflexões (não irei me aprofundar neste aspecto para não me prolongar muito) assim com toda uma estrutura organizada, com os fundamentos estabelecidos e enraizados na construção dos mestres griôs, transmissores do saber ancestral. Se juntarmos tudo isso temos o estabelecimento de um sistema cultural. Fundamentalmente a capoeira é tudo e é nada, é positiva e negativa, ela é esporte e transcende esta faceta, ela é luta e também transcende esta faceta. Não dá para olhar em uma única direção quando a capoeira nos abre mil possibilidades.”





Mestre Bené – Benguela

“Tudo que vier de bom e de produtivo em prol da capoeira, que seja bem-vindo. Só falta a comunidade capoeirística se unir mais, porque essa é a única luta genuinamente brasileira.”







Na próxima semana mais cinco mestres falam sobre o tema.  Nos acompanhe nas redes sociais e fique por dentro de tudo que rola no blog Capoeira de Toda Maneira.
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sexta-feira, 11 de março de 2016

Aniversário de 5 anos + Promoção




Hoje é nosso aniversário de 5 anos e eu não poderia deixar de agradecer aos leitores que me acompanham e aos mestres que sempre me atendem. 

Quando criei o Blog não imaginei que daria tão certo, era apenas uma forma de unir duas coisas que eu amo muito, a Capoeira e o Jornalismo. 

Há 18 anos, quando comecei a treinar Capoeira, não imaginava que houvesse um universo tão rico e cheio de possibilidades a ser desvendado.

Desde a minha primeira aula muita coisa aconteceu e nem sempre pude me dedicar aos treinos como gostaria. Mas nunca me afastei definitivamente da Capoeira, apenas mudei a minha participação. Na reta final da faculdade e com a chegada do meu filho as coisas ficaram mais complicadas, mas a gente quando ama muito alguma coisa dá um jeito de estar sempre por perto. Assim surgiu o Blog Capoeira de Toda Maneira.

Hoje, estou 100% voltada para a Capoeira, treinando, estudando sua história, cobrindo seus eventos, divulgando grandes inciativas, valorizando seus profissionais e me sinto privilegiada por tê-la na minha vida. São tantas coisas conquistadas a partir dela, minha família, muitos dos meus amigos e até emprego a Capoeira já me deu, para quem não sabe, eu fui editora da Revista Praticando Capoeira nas suas últimas edições e também fiz alguns trabalhos freelancers para a Revista Capoeira.

Por tudo isso não posso deixar de comemorar e comemoração sem presente não tem a menor graça. Na nossa fanpage no Facebook está rolando uma promoção muito bacana. Estaremos sorteando um kit com 3 revistas Praticando Capoeira com CD.

Na semana passada publiquei um vídeo no Youtube contando sobre cada revista do Kit. Vamos conferir?



Para saber mais sobre a promoção, clique aqui e se inscreva, fique atento às regras, ok?

>> Morar ou ter endereço de entrega no Brasil
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>> Marcar 3 amigos convidando para participar do sorteio
>> Clicar em "Quero Participar"

O sorteio ocorre no dia 31 de março.

Curiosidades

Durante esses 5 anos muita gente passou por aqui, muitos assuntos foram abordados e eu separei algumas curiosidade sobre o Blog.

Você sabia que já são mais de 112.700 acessos em 109 países do mundo? E que entre os 3 primeiros lugares em acesso estão Brasil, Estados Unidos e Alemanha, respectivamente em primeiro, segundo e terceiro lugar?

Tive o prazer de entrevistar 18 mestres, traçando um perfil de cada um e contando suas histórias.

Já são 466 postagens desde que o Blog foi lançado em 2011 e as top 10 em acessos são:

 1º lugar

2º lugar
Nota de Falecimento - Professor Esquilo - *22 de Abril de 1976 + 17 de Abril de 2011 - Publicada em Abril de 011.


4º lugar
A palavra do Mestre - Capoeira é esporte? - Parte 1 - Publicada em Fevereiro de 2016.

5º lugar
Homenagem ao Mestre Peixinho - *1947 +16 de Maio de 2011 - Publicada em Maio de 2011

6º lugar
Mulheres que (en)cantam: Graduada Thati - Publicada em Novembro de 215.

7º lugar
TUF Brasil- A polêmica interminável - Publicada em março de 2012.

8º lugar
A nova edição da Revista Praticando Capoeira - Publicada em Novembro de 2011.

9º lugar

10º lugar
Nota de Falecimento - Grão-Mestre Camisa Roxa - *1944 +2013 - Publicada em Abril de 2013.

Espero por mais 5 anos de sucesso e muita CAPOEIRA!

Preciso agradecer também a Carol Bonates, pela primeira arte aqui do Blog; Contramestre Naja, pela primeira logo; Ludmila Kraichete, por uma segunda logo; Instrutora Xica, pela logo atual; e a Luiza Helena, por ter escolhido o nome do Blog.

Se você ficou curioso para conhecer as primeiras logos do Blog, clique aqui!

Aos amigos que sempre me apoiaram, não vou citar nomes para não ser injusta, muito obrigada, sem vocês nada disso seria possível!


segunda-feira, 7 de março de 2016

A palavra do Mestre - Capoeira é esporte? - Parte 2


Na semana passada postei aqui a opinião de cinco mestres sobre o reconhecimento da Capoeira como esporte. Se você não viu, clique aqui. Hoje trago a opinião de mais cinco mestres: Mestre Namorado, Mestre Ron, Mestre Mara, Mestre Kaco e Mestre Barrão.





Mestre Namorado – Ibamolé Capoeira

“Meu medo é o que virá depois. Esportes têm regras bem definidas, para competições deveria existir graduação unificada (uma só), coisa que não vai acontecer. Esse passo de se tornar esporte 'oficialmente' deve gerar obrigações futuras!

Como ensinar esporte, prescrever treinamento esportivo para seres humanos sem que seus profissionais tenham conhecimento de fisiologia, anatomia, biomecânica e etc? Isso é um assunto delicado e polêmico. 

A Capoeira merece esse status, mas muitos capoeiristas, muitos mesmo, não estão minimamente preparados para representar essa Capoeira contemporânea. Antes era fácil, qualquer um ensinava o que tinha aprendido e pronto. Temos que acordar, as coisas mudaram e preciso ser crítico, ter olhar crítico mesmo, questionar, entender que as pessoas são diferentes.


Não há receita de bolo para ensinar, temos que respeitar a individualidade biológica das pessoas, obedecer progressões pedagógicas e etc.

Na área da saúde, tudo muda muito rápido. O que hoje é um super método legal, amanhã pode ser lesivo ou letal, para isso existem milhares de artigos científicos saindo toda hora. Esse assunto ainda tem que ser digerido e discutido. Em breve devem vir mais surpresas, como cursos obrigatórios para se ensina,fiscalização do CREF e etc.”




Mestre Ron – Raízes de Vila Nova 

“Eu sou contra porque só o título de esporte acaba deixando a capoeira, que é tão rica no seu universo, muito pobre. 

A capoeira tá longe de ser apenas esporte e como muitos outros mestres, vejo que perderemos muito nesse sentido. 

Vejo esse reconhecimento com uma forma de favorecimento a alguns órgãos, que tentam há muito tempo nos prender a um regime, que tiraria dos mais antigos o valor conquistado e daria a muita gente que pouco sabe de capoeira, a igualdade perante as pessoas que temos como autoridades maiores da capoeira, que são os mestres antigos, que construíram tudo isso.”







Mestre Mara – Herança Cultural

“Bom minha opinião em relação a isso é que nossa arte perde no que diz respeito a nossa cultura, pois sendo regida pelo esporte onde fica nossa ancestralidade? A oralidade de nossa arte se limitará, ficando somente performático, com regras que muitas vezes poderão ser de pessoas que nem fazem a Capoeira.

A capoeira é cultura, sempre lutamos pela sua liberdade, não pode se limitar apenas a algumas pessoas.” 




Mestre Kaco – Rede Anca

“ O que me preocupa é saber que os interesses não estão voltados para capoeira. Eles querem é tirar proveito de algo que está estabelecido. Neste caso sou contra.”









Mestre Barrão – Axé Capoeira


“Mesmo sabendo que capoeira é uma das maiores referências culturas Afro Brasileira, também acredito que ela se encaixa no contesto esportivo, só temos que ter o cuidado para que ela não seja manipulada pela as federações e nem pelo CONFEF /CREF, dando o direito aqueles que têm formação de educação física e deixando de lado os professores e mestres que dedicaram toda sua vida a capoeira. 

A capoeira não tem dono, ela pertence a todos aqueles que a representa com seriedade."

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A palavra do Mestre - Capoeira é esporte? - Parte 1




A discussão é longa e de simples não tem nada. As opiniões estão divididas e a única certeza é o futuro incerto da Capoeira como esporte. Não sabemos o que de fato vai acontecer, mas é necessário estar atento aos prós e contras gerados por esse reconhecimento. Para ajudar você a chegar a uma conclusão sobre o tema, conversamos com alguns dos mais renomados mestres da nossa arte e perguntamos:

Qual o seu posicionamento sobre o recente reconhecimento da Capoeira como esporte pelo Ministério dos Esportes?

A cada semana você acompanha a opinião de cinco mestres. Hoje: Mestre Boneco, Mestre Caçapa, Mestre Thiara, Mestre Catitu e Mestre Franja.





Mestre Boneco – Capoeira Brasil

“Acho que ela tem espaço para ser esporte também, só não podemos esquecer que, acima de tudo, é uma arte de transformação, ela é cultura de um povo, ela é musicalidade, é ritmo, é dança, é acrobacia, é folclore, arte marcial, tudo isso misturado em uma mesma "panela"!

Dias Gomes traduziu brilhantemente a capoeira em seu poema;
"A capoeira é luta de bailados, dança de gladiadores, duelo de camaradas. Na capoeira os contendores não são adversários, são camaradas, não lutam, fingem lutar, procuram dar genialmente a visão artística de um combate, acima do espírito de competição há um sentido de beleza, o capoeira é um artista, um atleta, um jogador e um poeta ...Há neles um sentido de beleza....”




Mestre Caçapa – Capoeira Terranossa

“A capoeira está sendo aprisionada, no meu ponto de vista. Nesse momento pode parecer bom, mas mais tarde vai mostrar para o que veio. 

A capoeira é arte, é cultura e muitos estão falando que o cara para dar aulas de capoeira vai ter que ser formado em educação física, não sei se e verdade. Aí eu te pergunto, aonde está a liberdade nisso? Hoje o cara é aluno e já monta grupo, imagine esse cara formado em educação física sendo amparado pela lei. No mínimo o cara para ser formado professor é de 10 anos, para ser formado em educação física são 4 anos, tu acha que esse cara vai esperar? Mas isso e só um pouquinho do que pode acontecer. Eu sou contra. 

Outra coisa, quem deu esse poder a eles para reconhecer a capoeira como esporte? ”



Mestre Thiara – Associação Iê Capoeira


“Existem aspectos positivos e negativos. Os positivos são vários como uma maior valorização da capoeira, captação de recursos, exigência de um nível superior para os futuros profissionais da capoeira entre outros, mas a preocupação é com o aspecto cultural da capoeira, os velhos mestres. 

Como ficaria a nossa capoeira nas mãos do Confef? A capoeira é mais que um esporte, qual seria o critério deste órgão para agregar recursos? 

Embora seja formada em Educação Física, não sei se seria bom estes recursos estarem sob a direção deste órgão. Pagamos uma anuidade alta para pouco respaldo, como seria com os capoeiristas?”  






Mestre Catitu – Herança Cultural

“A capoeira é esporte sim, mais também é cultura, é arte, música, é filosofia de vida!

Ela tem que ser reconhecida com tudo isso e ter recursos em todos os âmbitos por ser um patrimônio nosso. Com isso virão os órgãos controladores. Sou contra ela ser regida e fiscalizada por esses conselhos que nada sabem dela. Os saberes da capoeira vão muito além de um diploma.

Eu sou formado em Educação Física e sou contra a capoeira ser controlada por qualquer instituição que não haja algum vínculo com nossa ancestralidade e cultura.

Viva a nossa Capoeira!”






Mestre Franja – Rede Anca

“Eu acho que a Capoeira deveria ser reconhecida como esporte, mas o pessoal que está organizando esse movimento é o pessoal da Confederação Brasileira de Desportos e eles querem pegar o monopólio da Capoeira e isso não é bacana. 

Querem controlar a Capoeira com a ajuda do CREF/CONFEF e a Capoeira é livre, não seria bacana ela ser aprisionada. A Capoeira é um símbolo de libertação. Esse movimento não é um movimento legítimo, pra nós não vai ter vantagem nenhuma. 

Querem levar a Capoeira para as olimpíadas e pra ser um esporte olímpico tem que ter um padrão e a Capoeira não tem isso. Como é que você vai padronizar uma expressão corporal? 

Ela como um esporte entraria numa pasta que tem uma grana, isso pra gente é muito importante, porque é muito difícil conseguir uma grana do governo pra ajudar você a fazer alguma coisa. Se não tivesse esse movimento que quer pegar o monopólio da Capoeira, seria bacana. Cada mestre poderia fazer o seu campeonato, com suas próprias regras e receber um dinheiro do governo. 

Esse movimento desvaloriza o conhecimento dos mestres antigos. Eu sou contra esse movimento e não contra a Capoeira ser reconhecida como esporte, mas um esporte livre! É uma politicagem, eles querem cuidar da Capoeira como se fosse deles e a Capoeira não é de ninguém. Nós Capoeiristas somos da Capoeira. A capoeira é de todo mundo, ela é livre. Ela é até de quem não pratica capoeira, mas gosta, pesquisa, estuda,  fala sobre ela.”

Na próxima semana mais cinco mestres falam sobre o tema.  Nos acompanhe nas redes sociais e fique por dentro de tudo que rola no blog Capoeira de Toda Maneira.

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

E aí, qual a boa do final de semana?

Sexta e Sábado

Serrania/MG



Sábado

São José dos Campos/SP


Domingo

Rio de Janeiro/RJ


Tapes/RS


Rio de Janeiro/RJ